cópia ou sincronicidade?
Ontem participei de uma Oficina de Desenho de Moda pela Faculdade Senai Cetiqt, uma das melhores, se não a melhor faculdade de Design de Moda do Estado do Rio de Janeiro. A ideia era entender os processos e técnicas no desenho de Croqui e depois a prática. Comecei aprendendo os processos, terminei retratando as polaridades da alma humana. Mas isso é papo pra outro dia.

O que quero conversar hoje é sobre o incrível fenômeno que observo na minha prática de criação de peças, também objeto dos meus estudos e pesquisas em Psicanálise e Psiquiatria Transcultural, é aqui que as duas áreas convergem lindamente: a incidência do inconsciente coletivo na criação artística.
Claro, não há nenhuma novidade neste fato. Mas é muito curioso e tem sido uma experiência interessante vivenciar este fenômeno na Moda. Já vivenciei intensamente no Teatro. A natureza cíclica das tendências e macrotendências relacionam-se a esse inconsciente coletivo e seus movimentos. A próxima fase da pesquisa será entender como esses ciclos se relacionam, quais os mecanismos e “gatilhos” que ativados no inconsciente coletivo fazem surgir tendências nas passarelas.
Já identifiquei em vários momentos, nas minhas produções, essas sincronicidades. Já encontrei peças bem parecidas as que desenhei em algumas fast-fashions; na minha coleção, escolhi alguns tecidos listrados para a estampa, que estará também em alta para a próxima estação; em um projeto sob medida, tive a ideia de fazer um detalhe no punho do blazer, mais marcado como o punho de uma camisa social. Nesse fim de semana, durante a viagem para a São Paulo Fashion Week, uma amiga comprou um blazer na Renner com esse mesmo detalhe.
Ontem mesmo, na Oficina, a proposta de escolha de cores e estilos era livre, mas no fim, de relance vi que um colega de turma escolheu a mesma paleta que eu. Estávamos distantes, não vi as escolhas dele antes de iniciar meu desenho e acredito que ele também não tenha visto as minhas. Essa mesma paleta de cores foi apresentada em um desfile por uma das marcas presentes na SPFW. Só vi ontem, quando cheguei em casa.
Aí, fica um desdobramento daquela pergunta que sempre me faço: com relação ao direito de propriedade intelectual e artística dos designers, é cópia ou é obra do inconsciente coletivo?
É por isso que defendo a produção no campo da Moda, de roupas e acessórios como Arte. Quando feita, menos por tendências externas efêmeras, mais pelo impulso criativo interno, é possível entrar nesse fluxo de ideias visionárias, no sentido de prever e criar futuros.


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